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quinta-feira, 24 de março de 2011
Feedbr100% N° 9
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Dissociação e anacronismo no coração do tempo presente
Contemporâneos são aqueles que não aderem completamente ao seu tempo, segundo o que nos indica o filósofo Giorgio Agamben. De chofre, essa afirmação nos remete a noção de pertencimento que sugere, mais do que outra coisa, uma dinâmica de indeterminação e, consequentemente, de desadequação. Desde aí, poderíamos então arriscar a compreensão de que isso seria algo como estarmos próximos, simultânea e indistintamente, do que nos dista muitos séculos e do que nos é recentíssimo. Sendo assim, o nosso tempo presente, que é a contemporaneidade, exigiria um modo de “atualidade” descontinuada ou deslocada. Em virtude disso, pertencer ao tempo presente, sendo-lhe exatamente contemporâneo, significaria não coincidir completamente com este e tampouco adequar-se as suas pretensões, de sorte que se possa assegurar, a cada vez, uma tomada de distância. Mas, afinal, como dispor de uma não-coincidência com as pretensões do próprio tempo? E, nesse sentido, quando nos constituímos efetivamente em um estado de contemporaneidade? Obviamente, não se trata aqui de alguma nostalgia por outro tempo, e sim do reconhecimento da irrevogabilidade de seu presente. Nesse caso, com Agamben, já podemos entrever a contemporaneidade como uma singular relação com o presente de nosso próprio tempo, na qual só aderirmos de fato a ele pela distância dinâmica de uma dissociação e de um anacronismo. Ademais, o autor acresce uma noção de obscuridade que, não possuindo o sentido de uma não-visão mas de uma espécie de visão que denominamos escuro, permite-nos perceber as trevas do tempo presente. Pois bem, o que podemos constatar até aqui, seguindo a reflexão de Agamben, é o fato de que a contemporaneidade não se resolve apenas em um tempo cronológico. Diferentemente disso, no coração do tempo cronológico da contemporaneidade urge uma intempestividade, uma obscuridade, uma dissociação e um anacronismo que impedem o tempo de compor-se determinada e adequadamente. Assim, nós, quando contemporâneos, somos aqueles que, mediante essa singular relação, marcamos tal ruptura no nosso tempo presente, fazendo-o descontinuar em permanências e obscurecer em deslocamentos sempre ainda não-vividos dentro de todo vivido.
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Suplemento Brasil N° 4 - Feedbr100% - Jornal Cultural Feedback100% - Açores, Portugal
Completo para leitura - clique na imagem da capa
cristina OLIVEIRA
Editores
cristina OLIVEIRA
felipe COVALSKI
letícia TESTA
máximo LAMELA AdÓ
Nesta edição
Colaboradores
alma WELT, betina FRICHMANN, cristina OLIVEIRA, felipe COVALSKI, gina DINUCCI, guilherme DE FARIA, lázaro LOLLIER, letícia TESTA, máximo LAMELA ADÓ, miguel RODRIGUES.
Projeto gráfico e diagramação
máximo LAMELA ADÓ
Capa e contracapa
máximo LAMELA ADÓ (sobre litografias de Guilherme de Faria).
Laboratório Fotográfico Digital
felipe COVALSKI
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